Associação Nacional de Cruzeiros



BATALHAS E COMBATES
da Marinha Portuguesa

Ormuz - 11 a 24 de Fevereiro de 1625

A notícia da perda de Ormuz chegou à Península, via Turquia e Mediterrâneo, em Dezembro de 1622, provocando enorme consternação entre os governantes, tanto da Espanha como de Portugal. Era então primeiro-ministro de Filipe IV (que subira ao trono em Abril de 1621) o conde de Olivares, homem íntegro e enérgico, apostado em pôr cobro à corrupção e ao marasmo que grassavam na Corte espanhola e em restituir à Espanha a sua antiga grandeza.
Em relação à perda de Ormuz, a reacção de Olivares foi dar ordens peremptórias a Lisboa no sentido de, lançando mão de todos os recursos disponíveis, enviar o mais depressa possível uma grande armada para a Índia a fim de recuperar aquela praça. Foi, obviamente, uma reacção instintiva, que não se apoiou em qualquer análise detalhada da situação e sobretudo das causas que haviam levado à perda da fortaleza, nomeadamente a falta de água na ilha e o facto de o domínio do mar ter passado para as mãos dos Ingleses.
Em resultado da decisão tomada pelo conde de Olivares, a 2 de Março de 1623 largaram do Tejo três naus, três galeões e dois patachos com destino à Índia, enquanto se ficavam a aprontar mais galeões para seguirem em Setembro. Mas a viagem, como acontecia com frequência nesta época, foi um fracasso. As três naus, tendo-se atrasado, viram-se obrigadas a invernar em Moçambique; um dos galeões e os dois patachos perderam-se na costa oriental da Africa; somente os galeões Misericórdia e Santo André conseguiram chegar a Goa. O reforço previsto para Setembro não chegou a partir.
Na Índia havia então cinco galeões: o São Sebastião, que fora construído em Damão, o São Francisco e o São Jerónimo, que haviam sido construídos em Baçaim, e o Trindade e o São Salvador, que tinham ido do Reino em 1622. Com a chegada do Misericórdia e do Santo André o total elevou-se para sete. Constituíam estes galeões uma armada de dimensão razoável, sobretudo se atendermos a que devia também haver em Goa um certo número de urcas e patachos. Infelizmente, não foi possível, na altura, armar todos estes navios por falta de artilharia, de bombardeiros e de marinheiros europeus.
Conforme já dissemos por diversas vezes, é provável que o problema pudesse ter sido resolvido abandonando um certo número de fortalezas e desistindo da conquista territorial de Ceilão, o que teria permitido libertar um número considerável de canhões e de soldados e converter uma parte destes em bombardeiros e marinheiros. Mas, por mais lógica que fosse essa solução, não passava pela cabeça de nenhum governante da época, fossem quais fossem as circunstâncias, abrir mão de qualquer praça ou território onde estivesse hasteada a bandeira portuguesa. (É curioso que esta mentalidade perdurou até aos nossos dias!) Para abandonar territórios ou fortalezas inúteis ou impossíveis de defender teria sido necessária a clarividência e a força de ânimo de um D. João III, rei por vezes tão mal compreendido e pouco apreciado mas que foi o único dirigente nacional que teve a coragem de o fazer. A verdade é que a época era de decadência e, portanto, de estagnação.
Ao fim e ao cabo, no ano de 1624, apesar de haver em Goa sete galeões, não foi possível pôr a navegar uma armada de alto bordo.
Entretanto, no Reino, continuavam a ser afanosamente preparados socorros para a Índia e, a 18 de Março de 1624, largou do Tejo, sob o comando de Nuno Álvares Botelho, mais outra grande armada, constituída por duas naus e seis galeões, cinco dos quais destinados a lá ficar. Contra o que era habitual, todos estes navios chegaram juntos a Goa, em princípios de Setembro, e com, toda a gente de boa saúde, o que causou enorme sensação na cidade e foi tido como um verdadeiro milagre. Para tal é natural que tenha contribuído a personalidade do Chefe, simultaneamente enérgico, competente, honesto e tolerante , que soubera conquistar a confiança, o respeito e a simpatia, tanto dos outros fidalgos seus subordinados como das próprias guarnições.
Com os reforços recebidos pôde finalmente o vice-rei D. Francisco da Gama organizar uma armada de alto bordo destinada a ir primeiro a Surrate expulsar de lá as naus inglesas e, seguidamente, ir ao golfo Pérsico tentar a recuperação de Ormuz em conjunto com a armada de remo de Rui Freire de Andrada, que lá se encontrava.
No entanto, apesar de, na altura, haver em Goa doze galeões, foi resolvido armar somente seis devido à falta de artilharia, bombardeiros e marinheiros e sobretudo devido à enorme despesa que cada um deles fazia. De notar que as naus dos holandeses e dos ingleses, sendo utilizadas simultaneamente como navios de guerra e de comércio, se tornavam muito mais rentáveis que os galeões portugueses, utilizados exclusivamente como navios de guerra. Estando já relativamente adiantado o aprontamento dos seis galeões que haviam de constituir a armada de alto bordo, chegou a Goa a notícia de que em Surrate estavam oito naus e dois patachos ingleses. (Na realidade, quatro das naus eram holandesas.) Decidiu então o Vice-Rei mandar armar mais dois galeões.
Os navios escolhidos para fazerem parte da armada, obviamente os que se encontravam em melhor estado, foram os seguintes: São Francisco (capitânia), de 48 peças e 350 homens de guarnição, ido do Reino em 1624; o São Francisco (almiranta), de 32 peças e 250 homens de guarnição, construído em Baçaim; o São Sebastião, de 40 peças e 400 homens de guarnição, construído em Damão; o Trindade, de 24 peças e 250 homens de guarnição, ido do Reino em 1622; o São Salvador, de 22 peças e 200 homens de guarnição, ido do Reino em 1622; o Santiago, de 22 peças e 250 homens de guarnição, ido do Reino em 1624; o Misericórdia, de 22 peças e 200 homens de guarnição, ido do Reino em 1623; o Santo António, de 22 peças e 200 homens de guarnição, ido do Reino em 1624. Ficaram em Goa, desarmados, o São Jerónimo, construído em Baçaim, que ainda não tinha chegado a servir, o Santo André, da armada de 1623, o Reis Magos (?) e o São Pedro, ambos da armada de 1624.
Em conjunto, a armada, cujo comando foi entregue a Nuno Álvares Botelho, dispunha de 226 canhões, totalizando as suas guarnições 2100 homens.
As naus inglesas que se encontravam em Surrate, sob as ordens de John Weddel, eram: a Royal James, de 48 peças, a Jonas, de 44, a Star, de 27, e a Eagle, de 22; as holandesas, sob o comando de Albert Becker, eram a Zuijd-Holland, de 46 peças, a Nieuw-Bantam, também de 46, a Maag van Dordrecht, de 24, e a Weesp, igualmente de 24. Havia ainda os patachos ingleses Scout e Spy, cujo armamento os cronistas não referem. Quanto às guarnições dos navios ingleses e holandeses também não se conhecem números, mas é de admitir que fossem inferiores às dos nossos galeões. Em conjunto, a armada anglo-holandesa dispunha de 281 canhões, portanto mais 55 do que a nossa, sem contar com os dos patachos, o que constituía uma diferença apreciável. No entanto, é possível que estivesse menos bem equipada quanto a pelouros enramados, encadeados e de picão. O total das guarnições dos navios ingleses e holandeses, provavelmente, pouco excederia os 1500 homens.
Por esta altura, as relações entre Ingleses e Holandeses eram muito tensas. Apesar do tratado de cooperação assinado entre as duas Companhias das Índias em 1619, a rivalidade entre os marinheiros e outros agentes de ambas que circulavam no Sueste Asiático tinha continuado. Sendo mais fortes, os Holandeses com frequência exerciam prepotências sobre os Ingleses e sujeitavam-nos a vexames. Em 1623 foi organizada em Amboíno uma conjura entre os ingleses ali residentes com o fim de se apossarem do antigo forte português que agora estava nas mãos dos Holandeses. Souberam estes do que se estava preparando e prenderam os conjurados. Depois de submetidos a um julgamento sumário, vinte e dois foram decapitados e esquartejados, sendo doze ingleses, um português e nove japoneses. Tal foi o chamado «massacre de Amboíno», que haveria de envenenar por muitos anos as relações entre a Inglaterra e a Holanda.
Não obstante, quando Weddel e Becker souberam que os Portugueses estavam organizando em Goa uma grande armada para os ir combater, concordaram em pôr de lado os seus ressentimentos e conservarem-se juntos para melhor se defenderem do inimigo comum. E juntos largaram para Ormuz, provavelmente em finais de Dezembro, levando em sua companhia duas naus de «mouros» de Surrate e uma portuguesa que Weddel apresara ao largo de Chaul, a 11 de Novembro, e a que tinha posto o nome de John. No caminho ou em Ormuz foi ainda incorporado na armada um terceiro patacho, o Simon & Yude.
No dia 9 de Dezembro de 1624 largou de Goa com destino a Baçaim Nuno Álvares Botelho, levando consigo seis dos galeões e deixando os outros dois a acabar de aprontar. Em Baçaim, enquanto esperava pela chegada destes, completou o abastecimento da armada. Foi então que soube que as naus inglesas já tinham deixado Surrate, indo a caminho de Ormuz. Receoso de que o inimigo lhe pudesse escapar, logo que chegaram os dois galeões retardatários, a 6 de Janeiro de 1625, deixou Baçaim, iniciando a travessia do mar da Arábia. Mas esta não foi feliz. A armada apanhou um forte temporal, que provocou avarias na maior parte dos navios, e chegou muito maltratada a Mascate, a 7 de Fevereiro. Mas Nuno Álvares Botelho, apesar do estado em que se encontravam os navios e de ter muito pouca água, ao saber por uma embarcação que chegou à fala que os ingleses já estavam na costa da Pérsia a carregar, nem sequer quis fundear e tomou de imediato o rumo de Ormuz, onde chegou a 9 de Fevereiro, ao cair da tarde.

Ormuz - 1625
Ormuz - 1625

Em redor da ilha encontrava-se a armada de remo de Rui Freire de Andrada constituída por uma vintena de galeotas e uma vintena de terranquins. Tendo o vento caído por completo, as galeotas tomaram os galeões a reboque e ajudaram-nos a fundear na costa oeste da ilha de Ormuz, à vista da armada anglo-holandesa.
A posição dos portugueses era bastante favorável. Desde que houvesse um pouco de vento do sul poderiam empurrar os ingleses e holandeses para cima de terra, obrigando-os a aceitar um combate à abordagem. Infelizmente, na zona predominavam as brisas da manhã e da tarde, esta última bastante fraca e de curta duração, o que não facilitava tal tipo de acção. Durante o dia 10, as próprias brisas foram muito fracas ou mesmo inexistentes, o que não permitiu que qualquer das duas armadas se movesse.
À vista da armada portuguesa, Weddel não pôde deixar de sentir-se preocupado, não só por ter ficado entalado entre o inimigo e a terra mas principalmente porque não tinha a certeza se os holandeses o acompanhariam na batalha. Porém, numa conferência com Becker, realizada no dia 10, todas as dúvidas quanto a este ponto se dissiparam, comprometendo-se os holandeses a cooperar com os ingleses como se fossem da mesma nação.
Como é evidente, não convinha aos ingleses e holandeses deixar a iniciativa aos portugueses, conservando-se no fundeadouro à espera que eles com a viração (brisa do mar) os fossem abordar. Por isso, logo que amanheceu, suspenderam e, aproveitando o terral (brisa da terra), foram ao encontro da armada portuguesa.
Logo que o inimigo se pôs em movimento, Nuno Álvares Botelho fez o mesmo. Dada a direcção do vento, é natural que a nossa armada, sensivelmente formada em coluna, tenha tomado o rumo da ilha de Queixome, navegando à bolina folgada com amuras a EB. As naus holandesas e inglesas devem ter feito a sua aproximação mais ou menos em molhada, com vento pela popa, guinando para EB e orçando à medida que chegavam ao alcance de tiro dos galeões portugueses.
Teve então início o duelo de artilharia, com as duas armadas sensivelmente formadas em coluna, navegando a rumos paralelos e a pequena velocidade em direcção à ilha de Queixome. É óbvio que estando os ingleses e holandeses a barlavento dos portugueses estes não tinham possibilidade de os abordar.
À testa da nossa coluna ia a São Francisco, capitânia de Nuno Álvares Botelho, com a qual emparelhou a Holland, capitania de Becker. A seguir iriam, possivelmente, o São Sebastião, o São Jerónimo e o Santo António, que terão emparelhado, respectivamente, com a Bantam, a Weesp e a Dordrecht. Seguir-se-ia o São Francisco (almiranta) e o Misericórdia, que terão emparelhado, respectivamente, com a James e a Jonas. Os últimos navios da coluna portuguesa deviam ser o Trindade e o São Salvador que, arrastados pela corrente, terão descaído para sotavento, não chegando a entrar em acção.

Ormuz - 1625
Combate do dia 11 de manhã

Logo no início do combate apareceram, vindos do lado de Ormuz, três patachos ingleses que, depois de terem trocado alguns tiros com as galeotas de Rui Freire, se foram juntar às suas naus.
Com cerca de duzentos canhões disparando continuamente, o duelo de artilharia atingiu proporções raramente vistas. Um ribombar contínuo fazia vibrar o ar e sobre a água acumulavam-se grossos rolos de fumo negro. Em terra, os persas, atónitos, observavam o espectáculo, segundo refere o cronista, com o dedo metido na boca, sinal de espanto entre eles! A verdade é que no golfo Pérsico nunca tinha tido lugar (nem tornou a ter) um combate de artilharia de tal magnitude!
Como seria de esperar, todos os navios intervenientes sofreram estragos consideráveis na mastreação, no aparelho e no velame e tiveram um número elevado de mortos e de feridos. Entre os mortos figurava o almirante holandês Albert Becker. Aliás, a capitânia holandesa, vítima do fogo da nossa capitânia, terá sido um dos navios que mais sofreu. Por volta do meio-dia, na altura em que o vento caiu, encontrava-se aquela com alguns mastaréus e vergas partidas e adornada a um bordo, provavelmente por estar a meter água. Procurando tirar partido da situação, Nuno Alvares Botelho pediu a Rui Freire de Andrada que rebocasse o São Francisco com as suas galeotas para a ir abordar. Tentou aquele fazê-lo mas sem o conseguir, porque, entretanto, as lanchas holandesas tinham passado cabos à Holland e conseguido afastá-la.
Segundo se depreende das crónicas, o São Sebastião e o São Jerónimo terão sido dos navios mais empenhados no combate. A dada altura, o primeiro deles, talvez por estar a bolinar mais do que os restantes, aproximou-se da coluna inimiga, travando um renhido combate a curta distância com duas ou três naus que deixou muito destroçadas. Mas tendo caído o vento, ficou em risco de ser envolvido por vários navios inimigos. Por fim, foi tirado da difícil posição em que se encontrava pelas galeotas de Rui Freire.
Provavelmente na altura em que a brisa da manhã estava chegando ao fim, a nossa almirante conseguiu aferrar a Dordrecht. Alguns soldados chegaram mesmo a saltar para dentro dela, conseguindo apoderar-se de uma bandeira. Mas tiveram de retirar, provavelmente dizimados pelos mosqueteiros holandeses. De estranhar que não tenha sido aproveitada a ocasião para, em vez de tentar a abordagem, ter procurado incendiar a nau inimiga com panelas de pólvora. Vendo o perigo que corria a Dordrecht, acorreu em seu auxílio a James, o que obrigou a nossa almiranta a desaferrar e a afastar-se.
Com a calma da tarde e os navios incapazes de manobrar, o combate foi esmorecendo lentamente, procurando as duas armadas reagrupar-se com a ajuda de reboques das lanchas, batéis e galeotas, enquanto as respectivas guarnições se empenhavam em tratar dos feridos, deitar os mortos ao mar e reparar as avarias mais importantes.

Ormuz - 1625
Combate do dia 11 à tarde

A meio da tarde, quando começou a soprar a viração, a armada portuguesa passou a ficar a barlavento da inimiga. É natural que os nossos galeões tenham aproveitado a ocasião para arribar sobre as naus inglesas e holandesas na intenção de as abordar. Terão reagido aquelas, arribando também e aproando a NW ou NNW. Nestas condições, uma vez que os anglo-holandeses apenas podiam usar os canhões da popa e os portugueses os das amuras, o duelo de artilharia deve ter sido muito menos intenso que o que se verificara da parte da manhã.
Durante esta fase da batalha a nossa capitânia e outro galeão, possivelmente o São Sebastião, aproximaram-se da James, um por cada alheta, na intenção de a aferrarem simultaneamente por ambos os bordos. Vendo-se entalado, Weddel deu ordem ao mestre para folgar todas as escotas. Ficando com o pano a bater, a James perdeu seguimento e os dois galeões portugueses ultrapassaram-na. Então Weddel mandou pôr todo o leme a BB e passou para barlavento da capitânia portuguesa a rasar-lhe a popa. Nessa altura descarregou sobre ela toda a sua bateria de EB, causando-lhe danos consideráveis. Foi sem dúvida uma excelente manobra, que atesta a excelente qualidade dos capitães e dos marinheiros ingleses. Em outros pontos da linha de batalha é possível que tenham tido lugar manobras semelhantes a esta que não permitiram aos portugueses aferrar qualquer dos navios contrários. Se o vento fosse mais forte, é possível que as naus inglesas e holandesas acabassem por ficar entaladas contra a costa e que algumas delas fossem aferradas. Porém, como a brisa era fraca, os navios deslocavam-se muito lentamente e a noite caiu antes que tal situação se chegasse a verificar. De resto, tal como aconteceu com a Dordrecht, mesmo que os portugueses conseguissem aferrar algumas das naus inimigas, não é garantido que as tivessem tomado, antes pelo contrário, dado que nesta época o que predominava nos combates à abordagem não eram as lanças e as espadas, como nos tempos antigos, mas sim os mosquetes, em cujo manejo os holandeses e os ingleses nada nos ficavam a dever.
Ao cair da noite os navios ingleses e holandeses foram fundear na costa da Pérsia, em frente à feitoria inglesa, enquanto os portugueses faziam o mesmo na costa norte da ilha do Queixome.
Logo após ter fundeado, Nuno Álvares Botelho, apesar de ferido, meteu-se no esquife e foi visitar, um por um, todos os galeões, a fim de se inteirar dos danos e das baixas que haviam sofrido e animar as suas guarnições para o combate que esperava renovar no dia seguinte. Entre os feridos graves contava-se António Teles de Meneses, capitão do São Sebastião, que foi substituído por Simão Quintal de Carvalho, capitão do São Jerónimo, passando o comando deste para Manuel Quaresma Carneiro.
Durante a noite de 11 para 12 levantou-se vento muito fresco de NW que se manteve durante todo o dia 12, dando origem a mar cavado, que pôs em risco as nossas galeotas. Dada a direcção do vento, não era possível à nossa armada ir demandar a inimiga, que se encontrava francamente a barlavento. Aos ingleses e holandeses, com os navios bastante avariados, também não interessava combater naquelas condições de tempo. Por isso, durante todo aquele dia ambas as armadas permaneceram fundeadas.
Os navios ingleses e holandeses, estando abrigados pela costa da Pérsia, pouco sofriam com o mar, podendo as respectivas guarnições aproveitar a pausa para remediar as avarias sofridas no combate da véspera. Os navios portugueses, pelo contrário, estando fundeados na costa aberta da ilha de Queixome, estavam sujeitos a forte balanço, que tornava muito difíceis as reparações a efectuar na mastreação, a tal ponto que o mastro grande do São Sebastião, cuja enxárcia acabou por ceder, partiu-se, arrastando consigo o da mezena, o que causou enorme júbilo entre as guarnições das naus inimigas.
Vendo a posição exposta em que se encontravam os portugueses, Weddel mandou transformar a John (a nau portuguesa que havia capturado ao largo de Chaul) num brulote e ordenou que as lanchas o rebocassem para uma posição a barlavento da nossa armada e relativamente perto desta e aí lhe lançassem fogo. Mas as galeotas de Rui Freire, apesar da vaga, acorreram rapidamente e obrigaram os ingleses a pôr fogo ao brulote e a largá-lo antes do tempo. Ardendo como um archote, a John passou diante dos nossos galeões, sendo alvejado furiosamente por estes, sem lhes fazer mossa.
No dia 13 o vento caiu e o mar abateu. Tal como acontecera no dia 11, foram os anglo-holandeses que tomaram a iniciativa, vindo atacar a nossa armada a favor do terral. Nas suas linhas gerais, os combates travados neste dia foram semelhantes aos travados no dia 11, mas desenvolvendo-se em sentido inverso, isto é, a partir de Queixome na direcção de Ormuz.
O São Sebastião deve ter armado guindolas (mastros improvisados) para substituir o grande e a mezena que perdera durante o temporal do dia 12, pelo que devia ir a andar menos que a capitânia (São Francisco) e ser obrigado a tomar um rumo mais aberto em relação ao vento. Desse facto terá resultado, segundo parece, que a nossa capitânia se adiantou consideravelmente em relação ao resto da armada e que o São Sebastião descaiu para sotavento, dando origem a uma brecha na nossa formatura que o inimigo imediatamente aproveitou.
Três naus holandesas puderam concentrar-se sem qualquer dificuldade sobre o São Francisco (capitânia), enquanto a quarta se dirigia para o São Sebastião. Para este se terão também dirigido as duas naus inglesas mais fortes, enquanto as outras duas entretinham o São Francisco (almiranta) e o São Jerónimo.

Ormuz - 1625
Combate do dia 13 de manhã

Daí resultou que o combate se tenha desenvolvido principalmente em redor da capitânia portuguesa e do São Sebastião, qualquer deles acossado por três adversários. No entanto, apesar da inferioridade numérica em que se encontravam, os dois galeões aguentaram-se bem e embora tenham sofrido consideráveis danos e baixas também não deixaram de os causar ao inimigo.
Vendo a situação difícil em que se encontrava o São Sebastião é natural que todos os outros galeões portugueses tenham arribado sobre ele para o socorrer. Isso terá levado os navios que o estavam atacando a abandoná-lo. Fazendo força de vela e orçando, esses navios ter-se-ão ido juntar aos que estavam a atacar a nossa capitânia, que por esse facto se viu rodeada por seis ou sete naus holandesas e inglesas, com as quais continuou a bater-se animosamente.
Pelo meio-dia o vento caiu por completo, o que tirou qualquer possibilidade aos outros galeões de socorrerem a capitânia, cuja situação se tornou crítica. Mais uma vez acorreu Rui Freire com as suas galeotas e à custa de pesadas baixas conseguiu passar alguns soldados para o São Francisco para substituir os que tinham sido mortos ou feridos. Mas não teve qualquer possibilidade de o tirar do meio dos inimigos. Apesar de tudo, a guarnição da nossa capitânia não esmoreceu e continuou a responder animosamente ao fogo do inimigo até começar a viração. Dizem os cronistas que só neste dia o São Francisco terá disparado mil e quinhentos tiros e que os navios holandeses e ingleses, em conjunto, terão disparado onze mil (!), número este provavelmente exagerado mas que dá ideia da intensidade da luta.

Ormuz - 1625
Combate do dia 13 à tarde

Com o aparecimento da viração, os galeões portugueses começaram a aproximar-se da capitânia, o que levou os anglo-holandeses a pôr termo ao combate e a afastarem-se rumo à costa da Pérsia. Mas a batalha ainda não tinha terminado. O Trindade era um galeão que, praticamente, ainda não tinha entrado em acção, nem no dia 11 nem no dia 13, e que, por isso, devia ter o aparelho intacto. Fazendo força de vela, terá sido o primeiro a chegar junto do São Francisco. Depois, terá continuado em frente, em perseguição do inimigo, que batia em retirada. Mas adiantou-se de tal forma que ficou no meio dele, tendo lugar um novo combate de um contra cinco ou seis, que deixou o nosso galeão muito destroçado e pejado de mortos e feridos. Apesar do estado em que se encontrava o São Francisco, Nuno Alvares Botelho foi em auxílio do Trindade, o que obrigou as naus holandesas e inglesas que estavam em volta dele a abandonarem-no e a retomarem o rumo da costa da Pérsia. Resgatado o Trindade, a armada portuguesa, com três dos seus galeões muito avariados e com as respectivas guarnições dizimadas, foi fundear junto à ilha de Ormuz.
Nos combates deste dia, 13 de Fevereiro, ficou claramente demonstrada a superioridade dos capitães ingleses e holandeses sobre os portugueses na manobra táctica. Por três vezes permitiram estes que um dos seus galeões ficasse isolado a combater com três e mais naus inimigas. Não fora a fraca potência da artilharia da época, aliada à excepcional robustez dos cascos dos nossos galeões, e bem poderíamos ter sofrido nesse dia uma pesada derrota.
A noite de 13 para 14 de Fevereiro deve ter sido uma noite de vigília para os portugueses, por certo preocupados com a possibilidade de serem novamente atacados com brulotes. Afinal nada se passou. Pouco antes do nascer do Sol, aproveitando o terral, Nuno Álvares Botelho suspendeu e tomou o rumo de Lareca.
Vendo os portugueses bater em retirada, os ingleses e os holandeses, provavelmente para impressionar os Persas, suspenderam também e foram no seu encalço. Porém, apesar de disporem de maior velocidade, o que lhes teria permitido alcançar sem dificuldade os nossos navios, limitaram-se a acompanhá-los à distância, possivelmente por terem alguns dos seus avariados e, sobretudo, por já estarem a lutar com grande falta de munições.
Chegado a Lareca, Nuno Álvares Botelho fundeou e disparou a artilharia, convidando os inimigos a que o fossem atacar. Mas estes, pelas razões referidas, não aceitaram o repto. Para salvar a face, dispararam também a sua artilharia, desafiando por sua vez os portugueses para os ir combater ao largo, o que estes, obviamente, não podiam fazer, não só por terem três dos seus galeões muito destroçados mas também por se encontrarem a sotavento.
De tarde, com a viração, ingleses e holandeses regressaram à feitoria, onde recomeçaram o embarque das sedas, ao mesmo tempo que iam procedendo à reparação das avarias sofridas em combate. Devem também ter aproveitado a ocasião para redistribuir entre si as poucas munições que lhes restavam.
Vendo os persas que os seus aliados se estavam preparando para se irem embora sem previamente terem destruído a armada portuguesa conforme haviam blasonado, procuraram convencê-los a ficar, prometendo-lhes grossas somas de dinheiro. Mas os holandeses não estiveram pelos ajustes. Tinham ainda que ir a Surrate, antes de seguir para Batávia, e não queriam ser apanhados na costa ocidental da Índia pela «monção» que começa em fins de Abril. Por seu turno, os ingleses também não queriam ficar, uma vez que sozinhos não dispunham de forças suficientes para se medirem com as dos portugueses. Aliás, tanto os holandeses como os ingleses estavam praticamente sem munições, o que só por si era razão mais que suficiente para não estarem interessados em novas operações militares. Mas, aos olhos dos persas, tudo isso eram apenas desculpas de mau pagador, acabando por se convencer de que afinal o que os holandeses e ingleses tinham era medo dos portugueses!
Entretanto, em Lareca, após a retirada dos anglo-holandeses para a costa da Pérsia, Nuno Álvares Botelho reunira um conselho, em que tomaram parte, além de Rui Freire de Andrada, todos os capitães dos navios de alto bordo e de remo. A opinião da maioria foi que a armada continuando fundeada em Lareca corria o risco de se perder se fosse assolada por um dos temporais tão frequentes naquela época do ano e que, por isso, deveria seguir sem perda de tempo para Mascate. Mas tanto Nuno Álvares Botelho como Rui Freire de Andrada não se resignavam a, após tantos combates, abandonar o local da acção, dando a impressão aos Persas de que haviam sido batidos. E, apesar do parecer do conselho, acabaram por decidir permanecer durante mais alguns dias em Lareca, na esperança de que o inimigo, por razões de ordem comercial, fosse obrigado a abandonar a região, que foi, afinal, o que veio a acontecer.
Naquela ilha havia água, que embora não desse para reabastecer a armada, sempre ia dando para as necessidades diárias. Aproveitando a pausa, mestres, marinheiros e carpinteiros lançaram-se ao trabalho de reparar as avarias sofridas nos combates anteriores. Graças aos sobressalentes de velame, massame e poleame que os navios traziam a bordo e que os menos atingidos podiam ceder aos mais atingidos era relativamente fácil, nessa época, remediar em poucos dias os danos resultantes da acção do mar ou de uma batalha. O pior eram os mastros, os mastaréus e as vergas partidas, para os quais, regra geral, não havia sobressalentes a bordo. Mesmo assim, graças ao engenho e à perícia dos mestres e dos carpinteiros, era possível improvisar soluções que permitiam aos navios voltar a navegar sem grandes limitações. No caso presente, é de supor que tenha sido possível remediar as principais avarias de todos os galeões portugueses, à excepção do São Sebastião, ao qual faltavam dois mastros, e do Trindade, que, possivelmente, teria um ou dois mastros rendidos. Quanto a munições, os portugueses deviam encontrar-se numa situação bastante mais desafogada que a dos ingleses e holandeses, já que no dia 11 dois dos seus galeões e no dia 13 três, não tinham chegado praticamente a entrar em acção.
A 23 de Fevereiro a armada anglo-holandesa deixou a costa da Pérsia com destino a Surrate, levando em sua companhia três naus de «mouros», provavelmente as duas que tinha trazido consigo e outra que, entretanto, teria chegado.
Logo que o inimigo foi avistado a caminho do golfo de Omã, Nuno Álvares Botelho suspendeu e foi ao seu encontro, procurando cortar-lhe o passo.
Ao que parece, o nosso capitão-mor ter-se-á apercebido dos erros que ele próprio e os seus capitães haviam cometido no dia 13, combatendo de forma atabalhoada e sem qualquer espécie de disciplina táctica. Por isso terá dado ordens no sentido de, em acções futuras, os navios se conservarem formados em coluna e o mais perto possível uns dos outros. Doutrina indubitavelmente correcta mas que tinha o inconveniente de limitar a velocidade da armada à do navio mais lento, neste caso, provavelmente, o São Sebastião.
Mas os anglo-holandeses, desta vez, também estavam experimentando dificuldades neste capitulo, pois tinham de regular a sua velocidade pela das naus dos «mouros».
Estando o vento a soprar de WSW, a nossa armada terá rumado a SE na tentativa de interceptar a inimiga. Durante a tarde o vento cresceu consideravelmente e a vaga tornou-se cavada, o que deve ter obrigado ambas as armadas a reduzir o pano. Depois de uma noite tormentosa, em que os navios se devem ter especialmente preocupado em não abalroar os companheiros, o vento abrandou, rondando provavelmente para NW, e o mar abateu.
No dia 24 de Fevereiro, quando começou a clarear, é de supor que ambas as armadas, com a costa da Pérsia já muito perto, tenham guinado para EB, aproando sensivelmente a SW. Pôde então Weddel constatar que a esquadra inglesa se encontrava toda junta e relativamente perto da portuguesa, mas que a holandesa ficara muito para trás por causa das naus dos «mouros» que trazia em sua companhia. Viu-se, por isso, o almirante inglês na necessidade de reduzir o pano e ficar pairando à espera dela. Encontrando-se a sotavento, devido à mudança de vento que se operara ao amanhecer, os portugueses, com os seus zorreiros galeões, não tinham qualquer possibilidade de tirar partido da divisão do inimigo, atacando os ingleses. Consequentemente, limitaram-se a acompanhar as manobras destes por forma a continuarem a barrar-lhes o caminho para SE.

Ormuz - 1625
Combate do dia 24

Cerca do meio-dia, as esquadras inglesa e holandesa estavam novamente reunidas. Se não tivessem consigo as naus dos «mouros» é evidente que, graças à maior velocidade dos navios que as compunham, não teriam a menor dificuldade em tornear a nossa, por leste ou por oeste, e seguir depois, à vontade, para Surrate. Mas, devido ao peso morto que representavam as referidas naus, a sua velocidade encontrava-se bastante reduzida. Apercebendo-se disso, decidiram-se os seus almirantes por novo combate, na esperança de conseguirem avariar um ou dois dos nossos navios, o que paralisaria momentaneamente a armada portuguesa e lhes daria oportunidade de romperem para SE.
Nesta ordem de ideias, pelas duas da tarde, a James e a Jonas aproximaram-se até curta distância da capitânia de Nuno Álvares Botelho, que se adiantara em relação aos restantes galeões, e travaram com ela um furioso duelo de artilharia que se prolongou por várias horas e no qual, provavelmente, a Star e a Eagle também acabaram por tomar parte. Mas as coisas não correram exactamente como os ingleses esperavam. Apesar de ter sofrido muitas avarias e de ter tido um elevado número de baixas, o São Francisco nunca deixou de responder com grande determinação ao fogo do inimigo, causando-lhe também um destroço considerável, sobretudo na James.
Encontrando-se isolado, deveria o nosso capitão-mor ter mandado reduzir o pano e arribado um pouco com os galeões da vanguarda a fim de dar oportunidade aos da rectaguarda para, orçando tudo, passarem para barlavento da esquadra inglesa, metendo-a entre dois fogos. No entanto, como já foi dito, as capacidades tácticas dos nossos capitães no capítulo dos navios de alto bordo eram muito reduzidas. O próprio Nuno Álvares Botelho, apesar de todas as suas qulidades, ao que parece, não fugia à regra. Considerando os navios apenas como castelos flutuantes e exclusivamente mentalizados para o combate à abordagem, os fidalgos portugueses, ao serem encarregados de comandar um galeão ou uma nau, sentiam-se perdidos, num meio que lhes era completamente estranho.
Enquanto prosseguia o encarniçado combate entre o São Francisco e toda a esquadra inglesa, os restantes galeões portugueses iam-se entretendo a trocar tiros à distância com as naus holandesas. Em resultado das avarias sofridas, é natural que a nossa capitânia tenha ficado com a velocidade reduzida e tenha abatido para sotavento. Isso permitiu ao São Sebastião, ao fim da tarde, chegar junto dela e entrepor-se entre ela e os navios ingleses que a atacavam. Não estando dispostos a encetar novo combate com um navio relativamente fresco, aqueles orçaram e afastaram-se para barlavento. O mesmo fizeram os holandeses, e o combate cessou por completo, continuando as duas armadas a navegar muito lentamente, em colunas paralelas, em direcção à costa da Arábia.
Vinda a noite, os navios ingleses e holandeses conservaram os seus faróis apagados, o que tornou muito difícil a sua localização por parte dos portugueses. E, sem darem por isso, foram-nos deixando ficar para trás. Quando Weddel se apercebeu de que já estava safo da armada portuguesa, arribou em cheio e, com vento em popa, tomou o caminho de Surrate.
Ao romper do dia, ao dar pela fuga do inimigo, Nuno Álvares Botelho lançou-se em sua perseguição. Mas aquele já ia longe e era mais que evidente que não seria possível alcançá-lo. Tendo pouca água e dois dos seus galeões muito avariados, o nosso capitão-mor optou por abandonar a perseguição e dirigir-se para Corfação a fim de se refazer. A batalha chegara ao fim.
Nos combates travados nos dias 11, 13 e 24 de Fevereiro de 1625 ao largo de Ormuz terão tido os portugueses perto de duzentos mortos e os anglo-holandeses somente sessenta ou setenta. Além disso, ficaram os primeiros com dois dos seus galeões bastante avariados. Não obstante, poder-se-á considerar que sob o ponto de vista táctico se tratou de uma batalha indecisa, uma vez que a armada inimiga acabou por abandonar o local da acção sob pressão da nossa e praticamente sem munições.
Sob o ponto de vista estratégico, a batalha redundou numa vitória para os Portugueses, uma vez que levou o Xá da Pérsia, descrente da ajuda inglesa, a aceitar as condições propostas por Rui Freire de Andrada para a trégua, autorizando os Portugueses a instalar uma feitoria no Congo e cedendo-lhes metade das rendas da respectiva alfândega com a condição de obrigarem todos os navios que navegavam no golfo Pérsico a irem lá pagar direitos.
E assim, graças à forma inteligente como Rui Freire de Andrada utilizou a sua armada de remo nos anos de 1623 e de 1624 e à determinação com que Nuno Álvares Botelho utilizou a armada de alto bordo da Índia na batalha de Ormuz em Fevereiro de 1625, puderam os Portugueses recuperar temporariamente o domínio do mar e o prestígio de que antes desfrutavam na região do golfo Pérsico.
Aliás, sob o ponto de vista estritamente político-militar a sua posição melhorou, em relação à de 1622, uma vez que Mascate era uma base francamente superior a Ormuz, tanto pela sua posição geográfica como pelo facto de dispor de água.
Mesmo sob o ponto de vista económico, a reabertura do comércio com Baçorá e o estabelecimento da feitoria do Congo devem ter compensado em certa medida a perda do tributo e outras alcavalas pagas pelo rei de Ormuz.

                Saturnino Monteiro                
em «Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa» (Vol.V)

Bibliografia:
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Craesbeeck, Paulo, Comentários do Grande capitão Rui Freire de Andrada, Agência Geral das Colónias, Lisboa, 1940, p.257
Clowes, Laird, The Royal Navy - A History, Sampson Low, Marston and Company, London, 1898, Vol. II. p. 40
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Penrose, Boies, Sea Fights in East Indies, Harvard University Press, Cambridge, Massachusetts, 1931, p.239


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Última actualização: 23 de Outubro de 2001
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